Eu gosto de marca – não de moda

Falamos em um post da semana passada sobre as it-girls, e o quanto elas serão vistas como inspiração, especialmente agora que a rede Globo criou sua própria versão e que está na nova novela das sete. Mas, como já falamos, elas não deveriam ser somente um monte de garotas que gostam de moda, desfilam e transpiram marcas famosas e caras: elas deveriam ser pessoas que são seguidas, não por frequentarem os melhores salões, festas e shoppings, mas porque quando abrem a boca produzem muito mais que futilidades, mas transmitem cultura, raciocínio e, é claro, inteligência.

Porém, não é isso que as pessoas realmente pensam das it-girls. Não é para menos, roupas de alta costura, high heels para um almoço, instagram somente em lugares badalados. A inspiração que essas garotas (não sei se dá para chamá-las de mulheres – não ainda) transmitem é de que o mundo de futilidade é muito mais brilhante do que aquele que você consome cultura e não roupas, bolsas e sapatos.

Não fiz este post para continuar falando da imagem deturpada que elas nos passam, mas para mostrar o que as pessoas menos afortunadas (em questão de grana mesmo) não fariam para tentar entrar neste mundo.

Se você andar pelas ruas, lojas, bancas, galerias, entre outros, poderá ver uma enormidade de bolsas, lenços, roupas, sapatos etc. penduradas com preços convidativos. Mas se você olhar mais de perto verá que elas parecem, e muito, com as bolsas que as nossas musas it-girls desfilam nos blogs, eventos e badalos em geral. Pensa-se logo, “opa, agora sim posso andar por aí com uma bolsa fashion, só não contar para ninguém que ela não é original”. Se paga até 500 reais em uma “réplica” para se passar por antenada.

Em um passado meu não muito distante ganhei uma dessas bolsas. Uma tia minha me deu, pagou nada mais nada menos que 300 reais numa pequena bolsa que lembrava uma Louis Vuitton. Usei muito feliz a bolsa uma vez. Ela arrebentou quando eu estava chegando em casa. Aí eu pergunto: vale a pena usar peças falsificadas para ficar “na moda”?

Primeiro, 300 reais não é merreca, é muito dinheiro; segundo, você sabe qual o percurso que essa bolsa fez para chegar às suas mãos?; terceiro, você conhece os estilistas brasileiros?

Quem paga 300 reais em uma bolsa falsificada com certeza teria dinheiro para comprar uma boa bolsa, de uma marca conceituada, com qualidade e que com certeza está muito bem colocada nas principais tendências da moda. Tem muita coisa boa aqui no nosso país. Tem muita musa gringa que sabe disso melhor do que as brasileiras antenadas na moda, e buscaram marcas brasileiríssimas para compor seus looks lá no estrangeiro. E você aqui, querendo ostentar uma coisa que não é, necessariamente, grande coisa. Uma bolsa de grife gringa é tão boa quanto as nossas lindas marcas brasileiras. Ela não é mágica, não irá mudar sua vida, não te dará um amor novo ou um emprego badalado. Ela somente irá carregar seus pertences, irá sujar eventualmente, rasgar e estragar, assim como todas as outras que existem no mundo.

O porém é que a bolsa falsificada não é advinda de negócios escusos e problemáticos. O caminho que a sua bolsa falsifica fez para chegar às suas mãos não é nada bonito. É o mesmo percurso que a cocaína faz para chegar à mão do drogado (às vezes é vendida como a bolsa, no meio da rua). O tráfego das duas coisas, da bolsa falsificada e da droga, é o mesmo e é você, com sua vontade de se tornar it-girl, que contribui para isso continuar. Enquanto você gasta com camelô, as bolsas que não arrebentam, com qualidade nacional e lindas ficam encostadas, esperando que alguém com real noção de moda as compre.

Agora me diga: você gosta mesmo de moda ou só de marca?  

 

Ex-patricinha, ex-peoa, ex-hippie, sou formada em Letras e apaixonada por moda e maquiagem desde que ganhei meu primeiro batom de moranguinho. Para mim, rosa não é só uma cor, é uma filosofia de vida.

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